Já me perdi, muitas vezes, tentando garantir consistência visual em aplicações criadas por equipes diferentes. Cores ligeiramente diferentes, espaçamentos que parecem fugir do controle, fontes desalinhadas… Talvez você já tenha passado por isso também.
Foi só quando conheci o universo dos design tokens que comecei a enxergar uma solução mais clara para esse velho problema. Não é só sobre código. Na WeeUP, vejo todos os dias como design tokens mudam a forma de construir – e escalar – produtos digitais.
O que são design tokens?
Eu definiria assim: design tokens são pequenas variáveis que armazenam decisões de design – como cores, fontes, espaçamentos e bordas – em formatos legíveis tanto para pessoas quanto para sistemas. Elas servem como uma “ponte” entre times de design, engenharia e produto, garantindo que os detalhes visuais se mantenham consistentes, mesmo em múltiplas plataformas.
Imagine um token chamado color-primary definido como #0055ff. Sempre que um botão, texto ou card precisar da cor primária, ele busca esse mesmo valor. Assim, você pode mudar a cor em um único lugar, e a alteração se propaga em todo o projeto.
Design tokens tornam a padronização visual possível e prática.
Por que tokens são melhores que estilos avulsos?
Eu já vi times que centralizam cores em um PDF, outros em arquivos CSS e até planilhas no Google Docs. Funciona até certo ponto, mas logo surgem dúvidas e novas soluções improvisadas. Com tokens, o padrão vira regra no próprio código e no protótipo.
Por exemplo, segundo o U.S. Web Design System (USWDS), os tokens simplificam a definição visual de elementos e permitem que designers e desenvolvedores falem a mesma língua. Eles padronizam até detalhes como espaçamento: os tokens de espaçamento do USWDS usam múltiplos de 8px, tornando fácil criar layouts coerentes e responsivos.

Como os design tokens funcionam?
No fundo, todo token é um nome (chave) com um valor associado. A beleza está na forma como eles “viajam” entre arquivos, times e plataformas. O mesmo token pode existir:
- No Figma, como variável
- No código, como JSON, SCSS ou JavaScript
- Em templates, como parâmetro dinâmico
Por experiência, esse “passeio” reduz retrabalho. Se, por acaso, o branding de uma empresa muda, atualizar um ou poucos tokens faz o visual inteiro responder rapidamente.
No USWDS, há tokens para tudo: cor, espaçamento, tipografia (inclusive tamanhos derivados de outros, como mostram os tokens de tamanho de fonte) e até raio de borda. O Rivet Design System da Universidade de Indiana mostra como até detalhes como raio variam de 0,125rem a 999rem de maneira flexível mas padronizada.
Como acelerar a padronização visual com tokens?
Quando comecei na WeeUP, não imaginava como tokens impactariam nossa agilidade. O segredo foi parar de reinventar variáveis em cada projeto. Hoje uso, recomendo e compartilho alguns bons hábitos com amigos e colegas:
- Pense do macro para o micro. Comece por cores, fontes, espaçamentos – depois tokens de componente, como bordas ou sombras.
- Documente a estrutura dos tokens e os use no design (Figma, por exemplo) e no código ao mesmo tempo. Isso salva horas.
- Caso precise criar temas (como claro e escuro), tokens são uma mão na roda. Você só mapeia os valores-base para cada contexto, deixando o consumo padrão igual.
- Mantenha tokens organizados por categoria e hierarquia clara para facilitar busca, manutenção e reuso.
Padronizar é um modo de economizar tempo e evitar ruído.
Efeitos práticos vistos na WeeUP
Na prática, depois de usar tokens nos projetos internos e externos da WeeUP, percebi algumas mudanças bem marcantes, como:
- Atualizações de interface feitas em minutos, não horas
- Menos conflitos entre design e desenvolvimento
- Menos “gambiarras” no código
- Documentações mais simples para novos membros da equipe
- Mais tranquilidade ao criar temas ou expandir funcionalidades
Maiores empresas e sistemas públicos já adotaram práticas semelhantes. Os tokens de medida do USWDS, por exemplo, tornam fácil manter a consistência da linha de base tipográfica em diferentes dispositivos, indo de 44ex a 88ex conforme exigência, como descrito nos estudos do sistema americano.

Como começar com tokens?
Talvez o primeiro passo seja fazer um “inventário visual”: listar todas as cores, fontes, tamanhos e distâncias usadas no seu produto. Feito isso, pode-se criar um arquivo central (JSON, por exemplo) para esses valores.
Depois, na WeeUP, geralmente usamos workflows que automatizam a exportação dos tokens para diferentes linguagens – é possível transformar um token “color-primary” do design em variável CSS, SCSS, JS e até no próprio Figma.
A base é sempre manter tudo documentado e testado por todos os envolvidos: designers, engenheiros e quem for aplicar visual diferente, como equipes de marketing ou produto.
Quando tudo está documentado, o trabalho flui.
Tendências para o futuro
Eu vejo tokens ganhando cada vez mais espaço conforme produtos se tornam multiplataforma e personalizados. A automação da documentação já é realidade em muitas equipes, inclusive na WeeUP, e acredito que em breve será possível orquestrar tokens de design, conteúdo e até animação, tudo integrado em bibliotecas globais.
Talvez pareça excesso de zelo, mas na minha experiência, basta um projeto sem tokens para perceber o quanto faz sentido adotar este método.
Conclusão
No fundo, design tokens trazem praticidade e menos ruído à vida de quem constrói produtos digitais. Eles permitem atualizar, escalar e garantir coerência visual com facilidade, especialmente em ambientes colaborativos. Se sua empresa quer avançar mais rápido – e com menos atritos visuais – talvez seja hora de pensar em tokens com carinho.
Se você quiser ver na prática como times inteiros ganham liberdade e velocidade com design tokens, a WeeUP pode ajudar. Fale conosco e conheça como unimos design, engenharia e estratégia para transformar o visual do seu produto em algo realmente padronizado e pronto para crescer.
Perguntas frequentes sobre design tokens
O que são design tokens?
Design tokens são variáveis que armazenam valores visuais (como cores, fontes, espaçamentos) e tornam possível usar e atualizar decisões de design de forma consistente em todos os produtos digitais. Eles ajudam tanto designers quanto desenvolvedores porque os valores ficam centralizados, fáceis de mudar quando necessário.
Como usar design tokens em projetos?
É possível criar um arquivo de tokens (JSON, SCSS, JS, etc.) e consumir esses valores nos estilos, componentes e até na documentação dos projetos. Ao alterar um token, todos os lugares que usam aquele valor atualizam juntos, seja em sites, apps ou sistemas. Ferramentas modernas permitem integrar esses arquivos entre design (Figma, por exemplo) e desenvolvimento de forma automática.
Quais são os benefícios dos design tokens?
Padronização visual, fácil manutenção, menos retrabalho e comunicação mais clara entre os times são os principais benefícios. Também fica mais prático criar temas (escuro, claro, etc.), e expandir produtos para diferentes plataformas mantendo o mesmo olhar visual.
Por que padronizar com design tokens?
Padronizar com design tokens evita inconsistências visuais, facilita atualizações globais e torna o código mais limpo e confiável. Além disso, reduz discussões desnecessárias sobre detalhes visuais e acelera a implementação de demandas de design.
Como criar e organizar design tokens?
Primeiro, mapeie todos os valores visuais existentes no seu projeto: cores, famílias tipográficas, tamanhos, bordas, etc. Depois, defina nomes de chave claros e organize por categorias (cores, tipografia, espaçamento, etc.). Documente e compartilhe com a equipe, preferencialmente em um formato que possa ser consumido tanto no design quanto no código. Separe tokens globais dos específicos de componentes quando necessário.