Se tem algo que eu aprendi na prática em projetos ágeis, como os da WeeUP, é que definir story points pode ser tanto fonte de clareza quanto de desconforto dentro do time. Já presenciei sprints começando leves e terminando tensas por causa de um número. É estranho pensar que uma pontuação abstrata poderia causar silêncio constrangedor, mas vejo acontecer com frequência.

Onde começam os conflitos com story points?

Em times multidisciplinares, como os que conheci na WeeUP, cada pessoa traz uma visão diferente sobre o mesmo problema. Desenvolvedores, designers, product owners, cada um interpreta esforço, complexidade e risco de uma forma. Generalizando um pouco, os problemas surgem quando:

  • Alguém compara story points com horas, tentando puxar controle onde não cabe.
  • Existe pressão para cumprir metas e o time se sente vigiado.
  • Pessoas júnior se sentem acuadas ao opinar contra alguém mais experiente.
  • O objetivo da estimativa se perde, e começa o cabo de guerra.

Confundi story point com ego, aliás, é fácil. Eu mesmo já torci o nariz para uma estimativa achando “impossível” ser tão alta ou tão baixa. Só que, no fundo, story points não servem para medir esforço de um indivíduo, e sim da equipe. Quando percebi isso, minha forma de argumentar mudou completamente.

Equipe ágil em uma mesa, discutindo cartões de tarefas e estimando prioridades

A origem e significado dos story points

Mesmo entre pessoas experientes, vejo dúvidas recorrentes: “O que exatamente devo considerar? Só o esforço técnico ou também riscos e incertezas?”. Parto do princípio de que story points são relativos, não absolutos. Se uma tarefa A é 2x mais trabalhosa, ela deve valer o dobro de pontos da tarefa B. Pode ser complexidade, volume, dependências, tudo junto.

No ambiente da WeeUP, costumes e “stories de referência” ajudam. Um bug simples sempre vale 1 ponto. Integrar via API desconhecida costuma ser 5. Cada time precisa desse acordo tácito, pouco a pouco, para construir sua régua interna.

Não existe régua universal para story points.

Por que a discussão degenera?

Eu já estive do lado de quem quis provar que estava certo sobre uma estimativa. Durante uma planning, me peguei defendendo nervoso que algo era só 3 pontos, até perceber: estava brigando para ser ouvido, não pela estimativa. Erro comum. O conflito real, muitas vezes, não é sobre pontos, mas sobre confiança, insegurança ou pressa.

É quase sempre quando:

  • As pessoas têm medo de errar e serem cobradas depois pelo número escolhido.
  • Existe a sensação de competição pelo “melhor estimador”.
  • O time não criou um acordo prático de comparação entre stories.

Mais tarde, vi como práticas simples salvam reuniões de planning do caos.

Boas práticas para evitar conflitos

No dia a dia da WeeUP, algumas ações fizeram diferença para que as discussões sobre story points fossem produtivas. Compartilho as que realmente funcionaram para mim:

  • Definir histórias de referência do próprio time. Ter exemplos claros para comparar stories reduz divergência. Se “implementar tela de login” é sempre 3 pontos, o resto segue o mesmo raciocínio.
  • Usar Planning Poker e estimular a divergência saudável. Cada um escolhe o número sem influenciar o outro. Se tiver diferença, conversamos apenas sobre o porquê sem transformar isso em disputa.
  • Criação de um ambiente seguro, onde não existe resposta errada. O júnior pode discordar do sênior sem medo, pois valoriza-se o processo coletivo, não a precisão individual.
  • Focar na ideia de que story point não é um compromisso no contrato, mas um número para facilitar previsibilidade.
  • Diferenciar radicalmente story points de horas de trabalho. Evito, sempre que possível, qualquer equiparação direta.

No final, o consenso vale mais do que quem acertou a previsão.

Como conduzir a discussão na prática

Eu sempre proponho uma sequência, quase como um pequeno ritual:

  1. Leitura em voz alta de cada user story.
  2. Perguntas rápidas para esclarecer dúvida, mas sem detalhamento extra desnecessário.
  3. Rodada de Planning Poker: cada um escolhe seu ponto de forma independente.
  4. Revelação simultânea dos cartões (digital ou físico).
  5. Debate apenas se houver grandes diferenças, sempre ouvindo primeiro as pontas (quem deu o maior e o menor valor).
  6. Não chegou em consenso? Repetir a rodada, ou deixar em aberto para revisão posterior.

Já vi conflitos sumirem só pela regra de ouvir “quem discorda mais”. Dessa forma, reforçamos que toda opinião tem espaço, inclusive àquela que parece um “chute” fora do padrão. Ao longo do tempo, o alinhamento chega quase que naturalmente.

A importância da velocidade e previsibilidade

Existe uma razão para tanto cuidado com story points: velocidade e previsibilidade do time. O Departamento de Defesa dos EUA destaca que a soma dos story points concluídos por sprint, a chamada velocidade, é o melhor guia para planejar entregas. Quando a estimativa vira debate de acusações, perdemos esse benefício.

Story points não são arma para cobrar, são bússola para planejar.

Com boa base de story points, a equipe consegue prever de maneira mais realista quanto pode entregar, sem ilusões. Isso poupa reuniões tensas e expectativas infladas.

Como adaptar o conceito para cada equipe?

Na WeeUP, aprendi que não há modelo fixo. Cada novo projeto pede ajustes. Mas alguns pontos sempre recomendo para quem pergunta:

  • Mantenha as discussões objetivas, sem tentar agradar (ou irritar) ninguém.
  • Construa o senso de comparação interno, sem copiar padrões externos “prontos”.
  • Reavalie de tempos em tempos as histórias de referência, pois times evoluem.
  • Acolha o desconforto inicial — normal no começo, mas combata o silêncio e a omissão.

Profissionais mostrando cartas de Planning Poker e discutindo em reunião

O papel do líder: facilitar, não decidir

Já fui PO e scrum master em vários projetos, e se tem algo que aprendi “apanhando” foi: não adianta decidir por todo mundo na marra. O líder existe para criar o ambiente, esclarecer dúvidas, separar as discussões construtivas das pessoais, mas não para impor o ponto final. O real valor vem do acordo entre pares.

Costumo repetir nessas reuniões:

Errou no ponto? Corrige para o próximo. O importante é aprender junto.

Conclusão: como transformar story points em aliados?

Definir story points virou para mim uma história de amadurecimento, até mais do que de método. Os conflitos viram aprendizado, se o time se escuta. Com honestidade, reflexão e, de vez em quando, uma boa dose de paciência, as estimativas deixam de ser briga de números e viram ferramenta de clareza. Na WeeUP, valorizamos esse processo – não só pelo produto, mas pelo time que entregamos junto. Se quiser viver a experiência de planejamento ágil sem estresse, recomendo conhecer mais da nossa cultura e conversar com o nosso time. Será um prazer dividir nossos acertos (e tropeços), sem promessas vazias.

Perguntas frequentes sobre story points e conflitos em times ágeis

O que são story points no Scrum?

Story points são unidade de medida relativa usada para estimar o tamanho, complexidade ou esforço de um item do backlog em Scrum, sem ligação direta com horas. Eles servem para comparar histórias entre si, facilitando o planejamento das entregas.

Como definir story points de forma justa?

Para definir story points de forma justa, o grupo precisa alinhar critérios, discutir abertamente as diferenças e criar exemplos internos de referência. O uso do Planning Poker ajuda a dar voz a todos, reduzindo a pressão e evitando imposições.

Quais conflitos podem surgir ao estimar?

Os conflitos aparecem principalmente por insegurança, medo de julgamento, diferenças de experiência ou por querer transformar pontos em horas. Em alguns casos, surgem disputas pessoais e mal-estar quando não há ambiente seguro para expor opiniões.

Como evitar brigas por story points?

O time pode evitar brigas por story points criando referências claras, usando métodos como o Planning Poker e, principalmente, focando em consenso e respeito mútuo. Garantir que todos possam expor suas razões e que discordâncias sejam tratadas como aprendizagem, nunca como derrota.

Story points substituem horas de trabalho?

Não, story points não substituem horas de trabalho, pois são uma ferramenta de comparação relativa, não de cronometragem. Querem ajudar a prever entregas futuras, não controlar tempo ou ritmo de uma pessoa.

Categoria:

Engenharia,

Última Atualização: 6 de novembro de 2025